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VI—O sábio (Panditavaggo)

Considera quem te repreende os defeitos como se ele te desvendasse tesouros. Liga-te ao sábio que te reprova os erros. Quem isto faz, torna-se melhor, não pior.

Evita o mal, domina e foge de tudo o que não for bom. Isto desagradará aos insensatos, porém agradará aos sábios.

Não tenhas por amigos os obreiros do mal ou os de alma vil. Ajunta-te aos bons, busca a amizade dos melhores dentre os homens.

Quem bebe da fonte da Doutrina, vive feliz com ânimo sereno. Alegra-se sempre o sábio com a Doutrina ensinada belo Buddha.

Os aguadeiros conduzem a água para onde querem. os fabricantes de flechas modelam-nas; os carpinteiros trabalham a madeira; os sábios a si mesmos vencem.

Tal a rocha não abalada pelo vento, o sábio não é atingido nem pela injúria nem tampouco pelo elogio;

Assim, o sábio, depois de penetrado pela Doutrina, se torna plácido como lago profundo, sereno e tranquilo.

Por onde quer que os verdadeiros sábios andem não são sedentos de prazer. Tocados pela dor ou pela alegria, neles alteração nenhuma se vê.

Para o próprio bem ou para o alheio, não deseja o sábio filhos, fortuna ou mando. Não funda o próprio êxito na falência alheia. Ele é dotado de virtude, de inteligência e de justiça.

Poucos homens há que alcançam a outra margem. A maioria vai e vem sem ousar atravessar.

Mas os que ouviram e vivem a expressão perfeita da Doutrina, qualquer que seja a dificuldade da travessia, vencem o domínio da morte.

Abandonará o sábio os caminhos tenebrosos e seguirá os luminosos. Deixará o lar pela solidão buscando aí os prazeres que lá pareciam ausentes.

Extinta a sede dos desejos e o apego às volúpias, lavar-se-á o sábio de todas as imundícies da mente.

Aquele, cujo espírito está treinado em todos os graus do saber (discernimento da verdade, energia, alegria do verdadeiro, serenidade, concentração, equanimidade) e desapegado de tudo, se compraz na renúncia; cujos apetites foram subjugados e está inundado de luz, este, mesmo aqui no mundo, atinge o nibbâna.

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