Assim ouvi. Em certa ocasião, o Abençoado estava em Savatthi, no palácio da mãe de Migara, no Parque do Oriente. Agora, naquela ocasião—no décimo quinto dia do Uposatha, na noite de lua cheia—o Abençoado estava sentado ao ar livre, rodeado pela Sangha dos bhikkhus, quando, observando cuidadosamente a silenciosa Sangha dos bhikkhus, ele assim falou:
“Bhikkhus, se alguém perguntar, ‘Vocês, ao ouvirem ensinamentos que são hábeis, nobres, que conduzem para adiante, que conduzem para a iluminação, isso é um pré-requisito para que? A resposta deveria ser, ‘Para compreender as dualidades como elas na verdade são.’—‘De quais dualidades você está falando?’
‘Isto é sofrimento. Esta é a origem do sofrimento’: essa é a primeira contemplação.
‘Esta é a cessação do sofrimento. Este é o caminho de prática que conduz à cessação do sofrimento’:
essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Há pessoas que não compreendem o sofrimento. Elas não sabem de onde ele vem, não sabem como ele cessa por completo, nem sabem como realizar isso. Por conseguinte, sem ter a possibilidade de libertar a mente ou alcançar a libertação através da sabedoria, elas são incapazes de chegar a um fim; elas seguem só perambulando, nascendo e envelhecendo.
“Mas há pessoas que compreendem o sofrimento. Elas sabem de onde ele vem, sabem como ele cessa por completo, sabem como realizar isso. Elas alcançaram a libertação da mente e a libertação através da sabedoria, agora elas podem dar um fim, elas não mais seguem perambulando, nascendo e envelhecendo.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Há muitos tipos de sofrimento no mundo, sendo que todos têm a aquisição como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios dessa mesma aquisição, não há o surgimento do sofrimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Há muitos tipos de sofrimento no mundo e todos eles têm as aquisições como condição. Qualquer um que não compreenda isso, cria aquisições. O tolo enfrenta um sofrimento depois do outro. Portanto, compreendendo isso, não crie aquisições ao contemplar o nascimento como a condição para o sofrimento.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm a ignorância como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios dessa mesma ignorância, não há o surgimento do sofrimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“A constante perambulação de nascimento a nascimento, repetidas vezes, neste estado aqui ou em algum outro, esse é o resultado da ignorância. Essa ignorância é uma grande delusão devido à qual os seres perambulam durante muito, muito tempo. Enquanto que os seres imersos no conhecimento não mais seguem renascendo.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm as formações volitivas, como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios dessas mesmas formações volitivas, não há o surgimento do sofrimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Todo sofrimento tem as formações volitivas como condição. Com a cessação das formações volitivas não há o surgimento do sofrimento. Compreendendo essa desvantagem—que o sofrimento tem as formações volitivas como condição—com a tranquilização de todas as formações volitivas, cessando as percepções: assim ocorre o fim do sofrimento. Os sábios compreendem isso como na verdade é. Vendo corretamente, o sábio rompe o jugo de Mara não estando mais sujeito ao renascimento.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm a consciência como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios dessa mesma consciência, não há o surgimento do sofrimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Todo sofrimento tem a consciência como condição. Com a cessação da consciência não há o surgimento do sofrimento. Compreendendo essa desvantagem—que o sofrimento tem a consciência como condição—com a tranquilização de toda consciência, o bhikkhu está livre da fome, completamente libertado.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm o contato como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios desse mesmo contato, não há o surgimento do s
ofrimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Para aqueles que estão subjugados pelo contato, arrastados pela correnteza da existência, seguindo um caminho miserável, a eliminação dos grilhões está muito distante. Enquanto que aqueles que compreendem o contato, se deliciam com a calma proveniente da sabedoria. Eles vêm aquilo que o contato produz e dessa forma dão um fim à fome, completamente libertados.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm a sensação como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios dessa mesma sensação, não há o surgimento do sofrimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Compreendendo que aquilo que é sentido—prazeroso, doloroso, nem prazeroso, nem doloroso, no interior ou exterior—tudo isso é sofrimento, uma experiência delusória, uma experiência frágil, vendo o seu desaparecimento a cada contato ele compreende naquele exato momento: com o fim da sensação não há o surgimento do sofrimento.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm o desejo como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios desse mesmo desejo, não há o surgimento do so
frimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Tendo o desejo como companheiro, alguém segue perambulando por muito, muito tempo. Nem neste estado aqui e nem em nenhum outro lugar ele supera essa perambulação. Compreendendo essa desvantagem—que o sofrimento tem o desejo como condição—livre do desejo, sem apego, com atenção plena, o bhikkhu vive a vida santa.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm o apego como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios desse mesmo apego, não há o surgimento do sof
rimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Do apego como condição surge o ser/existir. Aquele que veio a ser enfrenta o sofrimento. A pessoa que nasce também morre. Esse é o surgimento do sofrimento. Assim, com a cessação de todo apego, o sábio vendo corretamente, compreendendo diretamente o fim do nascimento, não irá mais renascer.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm o esforço como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios desse mesmo esforço, não há o surgimento do s
ofrimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Todo sofrimento tem o esforço como condição. Com a cessação do esforço não há o surgimento do sofrimento. Compreendendo essa desvantagem—que o sofrimento tem o esforço como condição—com o abandono de todo esforço, há a libertação no ‘não-esforço’. Na pessoa em que a sede febril por ser/existir foi destruída e com a mente em paz, o ciclo de nascimentos e renascimentos foi deixado para trás e não há mais renascimentos.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm o alimento como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios desse mesmo alimento, não há o surgimento do sofrimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Todo sofrimento tem o alimento como condição. Com a cessação do alimento não há o surgimento do sofrimento. Compreendendo essa desvantagem—que o sofrimento tem o alimento como condição—compreendendo todo tipo de alimento, independente de todo alimento, experimentando a libertação através do fim das impurezas, ele permanece firme e com a visão clara da prática dos ensinamentos, aquele que realizou a sabedoria, que está além das medições, além das classificações.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Todos os tipos de sofrimento no mundo têm a agitação como condição’: essa é a primeira contemplação.
‘Com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios dessa mesma agitação, não há o surgimento do sofrimento’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Todo sofrimento tem a agitação como condição. Com a cessação da agitação não há o surgimento do sofrimento. Compreendendo essa desvantagem—que o sofrimento tem a agitação como condição—o bhikkhu renuncia à agitação e dá um fim a todas as formações, livre das perturbações, livre do apego, com atenção plena ele vive a vida santa.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Naquele em que há dependência, há vacilação’: essa é a primeira contemplação.
‘Aquele que é independente não vacila’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Quem é independente não vacila. Aquele que é dependente, agarrando-se a este estado aqui ou em algum outro lugar, não vai além da perambulação. Compreendendo essa desvantagem—o grande perigo na dependência—independente, livre do apego, com atenção plena o bhikkhu vive a vida santa.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Os fenômenos sem forma são mais pacíficos do que os com forma’: essa é a primeira contemplação.
‘A cessação é mais pacífica do que os fenômenos sem forma.’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Os seres que não compreendem a cessação irão regressar ao processo de renascimento, quer seja nos mundos com forma ou nos mundos sem forma. Mas aqueles seres que compreendem a natureza da forma, sem se estabelecerem no sem forma, libertos na cessação, são aqueles que deixam a morte para trás.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Tudo aquilo que no mundo, incluindo os seus devas, maras e brahmas, esta população com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e povo é considerado como “Isso é verdade”, é visto pelos nobres com correta sabedoria da forma como na verdade é, como “Isso é falso”’: essa é a primeira contemplação.
‘Tudo aquilo que no mundo, incluindo os seus devas, maras e brahmas, esta população com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e povo é considerado como “Isso é falso”, é visto pelos nobres com correta sabedoria da forma como na verdade é, como “Isso é verdadeiro”’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Veja o mundo, incluindo os seus devas, concebendo o não-eu como sendo o eu. Estabelecidos na mentalidade-materialidade eles concebem ‘Isso é real.’ Não importa com base em que eles concebam a sua identidade, isso se revela transitório. Se torna falso, pois aquilo que dura apenas por um momento é enganoso. Aquilo que possui uma natureza não enganosa é nibbana: que o nobre entende como verdadeiro. Através dessa contemplação da realidade, a fome é saciada, a libertação completa.
“Agora, pode ser que alguém pergunte, ‘Pode haver a correta contemplação das dualidades de alguma outra forma?’ A resposta deveria ser, ‘Há.’—‘Qual seria ela?’
‘Tudo aquilo que no mundo, incluindo os seus devas, maras e brahmas, esta população com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e povo é considerado como “Isso é prazeroso”, é visto pelos nobres com correta sabedoria da forma como na verdade é, como “Isso é doloroso”’: essa é a primeira contemplação.
‘Tudo aquilo que no mundo, incluindo os seus devas, maras e brahmas, esta população com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e povo é considerado como “Isso é doloroso”, é visto pelos nobres com correta sabedoria da forma como na verdade é, como “Isso é prazeroso”’: essa é a segunda contemplação.
Para um bhikkhu que contemple corretamente essas dualidades dessa forma—diligente, ardente e decidido—um de dois frutos podem ser esperados: o conhecimento supremo aqui e agora, ou o ‘não-retorno’ se ainda houver algum resíduo de apego.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Tendo dito isso, o Mestre ainda disse mais:
“Formas, sons, aromas, sabores, tangíveis e idéias que são desejáveis, agradáveis e fáceis de serem gostadas, todas elas, enquanto durarem, são consideradas como felicidade no mundo, incluindo os seus devas. Mas quando essas coisas cessam, todos concordam que isso é o sofrimento. Para os nobres a cessação da idéia de uma identidade é visto como felicidade. Isso é o oposto de como o mundo vê as coisas.
“Aquilo que os outros dizem ser a felicidade, os nobres dizem ser o sofrimento. Aquilo que os outros dizem ser sofrimento, o nobre entende como felicidade. Veja como o Dhamma é difícil de ser compreendido! Aqueles que não compreendem estão confusos. Aqueles que estão sob o véu (da ignorância) encontram-se na escuridão, a cegueira daqueles que não vêem.
“Mas para os sábios esse é o óbvio, como a luz para aqueles que são capazes de enxergar. Muito embora estejam na sua proximidade, os tolos que não percebem o Dhamma, são incapazes de compreendê-lo. Não é fácil para aqueles subjugados pelo desejo por ser/existir, para aqueles que são levados pela correnteza dos renascimentos, que estão sob o controle de Mara, despertarem para o Dhamma.
“Quem além dos nobres são capazes de compreender esse estado? Com a completa compreensão desse estado eles estão completamente libertados, livres das impurezas.
Isso foi o que disse o Abençoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abençoado. E enquanto essa explicação estava sendo dada as mentes de 60 bhikkhus, através do desapego, se libertaram das impurezas.
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