Da intimidade surge o perigo,
da vida em família a poeira;
livre da intimidade, livre da vida em família:
esta é a visão do sábio.Aquele que, ao destruir o que surgiu
não mais planta, ou nutre aquilo que surgirá;
Isso dizem deste sábio errante e singular,
"Este grande sábio encontrou o estado tranquilo".Tendo conhecido todos os terrenos e abandonado as sementes,
ele não mais sustenta o crescimento;
Eis o verdadeiro sábio, conhecedor do fim do renascimento—
tendo abandonando as conjecturas, ele não pode ser definido.Tendo compreendido completamente todas as moradas
ele não aspira por nada ou ninguém, em lugar algum;
Eis o verdadeiro sábio, livre do desejo, livre da ganância,
ele não mais fabrica, pois a outra margem alcançou.Tendo superado o todo, conhecendo o todo, sábio,
ele não é tocado por nada neste mundo;
Pois aquele adorado pelo sábios,
não havendo nada mais por abandonar, com o desejo destruído,
ele é livre.Forte na sabedoria,
virtuoso com relação à prática,
tranquilo, um apreciador dos jhanas, plenamente atento;
Assim é aquele adorado pelo sábios,
é livre das amarras, obstáculos ou impurezas.O sábio errante, solitário,
é intocado pela crítica ou pelo elogio,
é um leão que não se abala por qualquer ruído,
ele é como o vento, impossível de ser capturado
ou como uma flor de lótus, intocada pela água,
ele guia mas não é guiado.
Assim é aquele adorado pelos sábios.Como um pilar imóvel, ele permanece firme
mesmo quando atingido pelos extremos das palavras;
Pois aquele adorado pelo sábios,
é livre do desejo e dotado de contenção.Firme, ele segue reto como a lançadeira num tear,
tranquilo diante tanto do que é armônico quanto do que é dissonante,
íntegro, ele detesta as ações inábeis;
Assim é aquele adorado pelos sábios.Com a mente controlada, ele não comete mal algum.
Jovem e de meia idade, sábio e autocontrolado,
nunca se enraivece, ele não irrita a ninguém.
Assim é aquele adorado pelos sábios.Alimentando-se do que é oferecido, não importando a qualidade,
—sem adular nem menosprezar—
ele é mantido pela generosidade dos outros,
Assim é aquele adorado pelos sábios.Tendo adotado a castidade,
mesmo quando jovem ele não era atado à ninguém.
Aquele adorado pelo sábios,
é livre da intoxicação e da complacência.Tendo compreendido a realidade última do mundo,
a correnteza do oceano foi atravessada.
Pois aquele adorado pelo sábios,
é livre das amarras, é desapegado e livre de fermentações.Estes dois são distintos e em muito diferentes:
o chefe de família que apoia uma esposa,
e aquele que segue o caminho altruísta, praticando o bem.
Tirando a vida de outros seres, o chefe de família é descontrolado,
protegendo constantemente todos os seres, o sábio é controlado.Da mesma forma que em termos de velocidade e vôo
um pavão-azul não pode ser comparado a um ganso selvagem:
um chefe de família não se compara ao sábio contemplativo
sábio e recluso, absorto em jhana na floresta.
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